
A campanha eleitoral começou e, com ela, chega também o tradicional desfile de força política pelas ruas. Carros adesivados, carreatas, bandeiras nas rotatórias, combustível, adesivos, encontros políticos e uma multidão cuidadosamente posicionada para mostrar que determinado candidato tem apoio de sobra.
Se dependesse de carro, gasolina, bandeira, adesivo, carreata e presença obrigatória em encontros políticos, o candidato que tivesse mais já estaria eleito.
Seria simples. Bastaria contar os carros, medir o tamanho das carreatas, contabilizar as bandeiras nas rotatórias, somar as notas de gasolina e conferir a quantidade de funcionários contratados e comissionados presentes nos eventos.
Mas não é bem assim.
Em época de campanha, a demonstração de força faz parte do espetáculo. Quanto mais carros, mais barulho. Quanto mais bandeiras, mais impacto visual. Quanto maior a carreata, maior a sensação de que existe uma onda popular tomando conta das ruas.
E ainda existe o capítulo dos encontros políticos.
Funcionários contratados e comissionados passam a receber convites que, dependendo da situação, podem soar mais como convocação. A presença passa a ser valorizada e a ausência pode gerar aquela velha pergunta silenciosa: “Por que não foi?”
E lá estão eles, ocupando espaços, batendo palmas, participando das fotografias e ajudando a compor o cenário de uma campanha que precisa parecer cada vez maior.
Só que existe uma diferença entre estar presente e votar.
Uma carreata lotada não cabe dentro de uma urna eletrônica. Uma bandeira não vota. Um adesivo não vota. O litro de gasolina também não. E o funcionário que compareceu ao encontro por pressão ou orientação não necessariamente levará o candidato para dentro da cabine de votação.
Até os acenos merecem cautela.
Aquele eleitor que acena quando o candidato passa pode estar declarando apoio. Pode estar apenas sendo educado. Pode estar cumprimentando um conhecido. Ou pode simplesmente estar acenando porque uma câmera está apontada para ele.
Na política, imagem é importante. Mas imagem não é voto.
Por isso, o início da campanha deve ser acompanhado com atenção, mas também com uma boa dose de ironia. Porque, se dependesse apenas da quantidade de carros, litros de gasolina, bandeiras, adesivos, carreatas, acenos e funcionários presentes nos encontros, bastaria fazer uma contagem nas ruas para saber quem seria o próximo eleito.
A urna, entretanto, ainda não funciona assim.
No dia da eleição, toda a estrutura desaparece e sobra apenas o eleitor diante da tela. É ali que a verdadeira contagem começa.
Até lá, que venham as carreatas, os bandeiraços, os adesivaços, os discursos e os acenos.
Mas fica o lembrete: quem tiver mais carros pode até fazer mais barulho. Quem tiver mais votos é que será eleito.
PanoramaSLZ. Na política, tamanho de carreata impressiona. Mas o tamanho da votação é o que decide.

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