
Meu querido Djalma,
Meu preto, se tu ainda estivesse por aqui, ia soltar aquela risada atravessada, meio irônica, meio desconfiada, quando visse a novela de hoje. Pois senta, que lá vem enredo, ou melhor, operação.
A Polícia Federal bateu cedo na porta do senador Weverton Rocha, numa daquelas ações cheias de pastas, coletes e caras sérias. A operação, feita em conjunto com a Controladoria-Geral da União, investiga um esquema de descontos ilegais no INSS. E adivinha quem apareceu como personagem importante? Pois é, o próprio. A PF diz que o homem seria o tal “núcleo político” que ajudava a viabilizar as traquinagens do famoso Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, nome que parece piada pronta, mas é coisa séria.
Segundo a investigação, dinheiro do esquema teria pingado por ali e por acolá, passado por terceiros, assessores e aquela engenharia financeira que só quem vive disso entende. A PF, empolgada, pediu até a prisão do senador. Aí, meu bem, o freio de mão foi puxado.
A Procuradoria-Geral da República entrou em campo dizendo que, sem prova direta, não dava. O procurador-geral, Paulo Gonet, resumiu mais ou menos assim: não é porque ex-assessor recebeu dinheiro que o chefe automaticamente vira culpado. É preciso provar o laço, o nó, o aperto.
Com isso, o Supremo Tribunal Federal disse não ao pedido de prisão. O relator, ministro André Mendonça, ainda filosofou ao afirmar que prender um senador causa efeitos drásticos na República. Segundo ele, a vigilância da sociedade já seria grande o suficiente para evitar sandices enquanto a investigação segue.
E o senador? Disse que levou um susto com a busca em casa, quem não levaria, né?, mas garantiu, com aquela serenidade protocolar, que está à disposição para explicar tudo assim que tiver acesso completo à decisão.
Resumindo, Djalma, teve busca, teve pedido de prisão, teve negativa, teve discurso bonito e mais um capítulo dessa série brasileira em que política, Justiça e INSS sempre se encontram no mesmo roteiro confuso. Tu, daí de cima, deve estar só balançando a cabeça e dizendo que isso aqui não muda nunca.
Saudades, meu velho.
Um beijão forte.

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