
Meu querido Didi,
Rapaz, o clima natalino começou com força total. A novidade das bandas daqui e dos arredores é a mesma de sempre. A Justiça resolveu entrar no espírito de Natal e autorizou a saída temporária de nada mais, nada menos que 736 presos do regime semiaberto aqui da Grande Ilha, que inclui São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa. Um verdadeiro “liberou geral”, versão institucional.
Quem assinou o presente foi o juiz Francisco Ferreira de Lima, da 1ª Vara das Execuções Penais. Segundo ele, a turma começa a ganhar a rua a partir das 9h desta terça-feira, dia 23. Tudo bem organizado, veja só. O retorno às unidades prisionais está marcado para até as 18h do dia 29 de dezembro. Horário cronometrado, como se todo mundo fosse pontual feito trem suíço.
E olha que capricho: se alguém resolver esticar demais a visita e não voltar, os diretores dos presídios têm até o dia 7 de janeiro, ao meio-dia, pra avisar oficialmente ao Judiciário. Nada de pressa. Afinal, ainda vai ser começo de ano, né? Tempo de ressaca, promessas e esperança renovada.
Enfim, Didi, é o espírito natalino em sua forma mais criativa. Uns ganham panetone, outros ganham liberdade temporária. Só fico imaginando teu comentário final, com aquele suspiro longo e a frase clássica: “Depois não sabem por que o povo desconfia”.
Saudade das tuas ironias certeiras.
Agora deixa eu te contar outra.
Tu não vai acreditar no que aconteceu por aqui nesta quarta-feira, dia 17. Logo cedo, a Receita Federal resolveu bater ponto na torre empresarial do Shopping da Ilha, em São Luís, pra fazer uma fiscalização daquelas.
O alvo era o velho esquema de eletrônicos vendidos pelas redes sociais, tudo no descaminho. Quando os fiscais apareceram, o clima mudou na hora. Teve comerciante que entrou em desespero e tentou se livrar dos produtos como deu. Resultado: bolsas recheadas de aparelhos foram largadas na recepção do prédio, como se ninguém soubesse de nada.
Pra completar a cena, uma pessoa ainda tentou sair de fininho carregando cerca de 40 iPhones. Achou que ia dar certo, mas não foi longe. Os fiscais alcançaram antes da fuga virar história.
No fim das contas, apesar da confusão e das irregularidades encontradas, ninguém foi preso. Os aparelhos foram apreendidos e agora o resto é com a burocracia e os processos administrativos.
É aquilo, meu amor: quando o fiscal aparece, sempre tem gente tentando correr… mas quase nunca dá tempo.
Fica com Deus.
Um beijão forte da tua amada.

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