Presidente da FAMEM é um dos comandantes do esquema que desviou quase R$ 1 bilhão da saúde nos municípios maranhenses

 

Erlânio Xavier e seu padrinho político, Weverton Rocha

A ampla reportagem da Revista Piauí, assinada pelo jornalista Breno Pires, e que circula neste fim de semana, expondo uma concentração imensa de volume de verbas do orçamento secreto no Maranhão vai dar muitos panos pras mangas para os envolvidos. Chama a atenção que a roubalheira de verba do orçamento secreto tenha se concentrado no Maranhão, porque a bancada do estado não tem peso político expressivo no Congresso, nem se sabe que “critérios técnicos” excepcionais os parlamentares maranhenses descobriram para atrair tanto dinheiro. O Maranhão é o destino dos maiores valores do Fundo Nacional de Saúde para os Fundos Municipais de Saúde, destinados ao custeio de atenção básica e do MAC, mas é também o campeão nacional de repasses de emendas do orçamento secreto em todas as áreas.

No plano municipal, tudo começou em Igarapé Grande, uma pacata cidade de 11,5 mil habitantes na região central do Maranhão, situada a 300 km de São Luís. Em 2018, os atendimentos MAC na cidade estavam em 123 mil. No ano seguinte, quando o orçamento secreto dava seus primeiríssimos passos em Brasília, explodiram para 761 mil. Só as consultas com especialistas bateram em 385 mil, o que dá uma média de 34 consultas por habitante, um padrão que supera o recorde mundial, estabelecido pela Coreia do Sul, onde a média anual chega a 17 consultas por habitante. Com a profusão de exames e consultas fantasmas, Igarapé Grande aumentou muito seu teto orçamentário e conseguiu atrair 3,9 milhões de reais do orçamento secreto em 2020. Nesse mesmo ano, voltou a inflar seus números. Chegou a informar que fez mais de 12,7 mil radiografias de dedo de mão – ficando atrás apenas de São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte. Assim, em 2021, conseguiu ainda mais recursos do orçamento secreto: 6,7 milhões, o que lhe valeu a medalha de ouro no per capita nacional.

O sucesso de Igarapé Grande logo contagiou a vizinha Bernardo do Mearim. Na eleição municipal de novembro de 2020, os bernardenses elegeram Arlindo de Moura Júnior Xavier (PDT) para prefeito. Ele é irmão de Erlanio Xavier, o prefeito de Igarapé Grande, e Bernardo do Mearim aderiu ao esquema de imediato . De janeiro a outubro de 2020, a prefeitura registrara 2.240 consultas especializadas. Nos dois últimos meses do ano, porém, já com Júnior Xavier eleito, as consultas dispararam para 235,6 mil, atingindo uma média exorbitante de 39 consultas por habitante no ano. Com isso, a prefeitura ampliou seu teto de gastos para 3 milhões de reais e, no ano seguinte, recebeu o teto. A parte mais significativa – 2,5 milhões – veio do orçamento secreto. “Hoje nós temos ginecologista, mastologista, ortopedista, pediatra, fisioterapeuta, assistente social, fonoaudiólogo. Nós temos otorrino. Nós temos em torno de umas dezessete especialidades”, disse o secretário da Saúde, Francisco da Conceição Moraes, de 46 anos, na tarde de uma quinta-feira de junho. No mesmo dia, a Revista Piauí visitou o hospital municipal. Encontrou apenas um clínico geral. Por volta das 17 horas, a revista se preparava para visitar a Unidade Básica de Saúde quando foi informada de que as atividades já haviam sido encerradas.

 SÓCIO DE WEVERTON ROCHA

Erlânio Xavier é presidente da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (FAMEM) e braço direito do senador Weverton Rocha. Os dois são sócios de uma rede de combustíveis, adquiridas do empresário Josival Cavalcante da Silva, vulgo Pacovan, que já esteve preso diversas vezes, pela prática de crimes de agiotagem e extorsão.  O próprio  Erlânio, antes de ser político, esteve preso pela Polícia Federal, na esteira de um rumoroso escândalo de desvio de recursos que drenou os cofres da prefeitura de Paço do Lumiar, durante  a gestão da ex-prefeita Bia Venâncio.

Reveja a íntegra da reportagem AQUI

 

 

 

 

 

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